Notícia
CIDADE DE UMUARAMA - RECICLÁVEL
11/08/2013

Umuarama - Programa Lixo que Vale – que troca lixo reciclável por alimentos, adquiridos direto do produtor rural – espera aumentar o volume recolhido e ampliar o alcance através da coleta itinerante, a ser realizada todos os sábados, partir desta semana, pelas ruas dos bairros Industrial, Arco Íris, Alto da Glória e Jardim Viveiros. Embora a média mensal de material trocado pelos moradores seja expressiva – em torno de 8 toneladas – a distância entre as casas e o antigo ponto de entrega (a sede da Associação Vida e Solidariedade) tem limitado a ação do programa. A avaliação é do secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Antonio Carlos Favaro.
Segundo dados da Secretaria Municipal de Assistência Social, cerca de mil famílias vivem nesses bairros, mas pelos números do acompanhamento do Lixo que Vale apenas 10% dessa população tem se envolvido com o programa. “Com a coleta itinerante os moradores vão trocar o lixo reciclável por moeda verde na frente das suas casas. Desta forma, esperamos aumentar bastante a quantidade de famílias participantes – hoje em torno de 100 – e também o volume de lixo retirado das casas, quintais e ruas desses bairros”, prevê Favaro.
A coleta itinerante facilita a troca e, com isso, pode estender a distribuição de alimentos a um número maior de moradores. A variedade de produtos é grande, através do Banco de Alimentos, e o município tem condições de atender a um público mais expressivo que o atual. Em torno de 3 mil quilos de alimentos são distribuídos a cada 15 dias, no Industrial, e um volume ainda maior atende aos moradores do Parque Jabuticabeiras, onde o prefeito Moacir Silva implantou o Programa Lixo que Vale há dois anos. Lá, a população recolhe uma média de 10 toneladas de lixo reciclável por mês.
A lista de alimentos oferecidos para a troca inclui 20 tipos diferentes de frutas, verduras e legumes, além de bolachas, doces, pães, ovos, carne e até rapadura. “É tudo coisa de primeira, fresquinha, que sai direto do pequeno produtor rural, passa pelo Banco de Alimentos e é distribuído aos moradores. Os benefícios são enormes. Uma alimentação de qualidade melhora a saúde, dá mais disposição para o trabalho e ajuda no desempenho escolar. O dinheiro que as famílias economizam com a compra desses alimentos pode bancar outras necessidades, melhorando a qualidade de vida de todos”, analisa o prefeito Moacir Silva.
O foco central do programa são as famílias carentes, mas os benefícios são bem maiores. Além de melhorar a alimentação e com isso a saúde dos atendidos, o Lixo que Vale contribui para a preservação do meio ambiente – pois destina à reciclagem um grande volume de materiais que, jogados na natureza, demorariam séculos para serem eliminados. A poluição de rios e contaminação do ar, que podem causar prejuízos à saúde de pessoas, animais e do ambiente, também são amenizadas com a iniciativa.
MAIS RENDA
“Não se pode medir o tamanho dos ganhos com a preservação, possibilitados pela reciclagem, sem falar nos benefícios para as famílias que tiram a renda dessa atividade”, acrescentou o secretário da Agricultura e Meio Ambiente. Os materiais recolhidos pelo programa, bem como através da coleta seletiva realizada pela Prefeitura em toda a área urbana, são encaminhados para a Cooperuma – Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis de Umuarama –, onde perto de 30 cooperados trabalham de segunda a sábado na separação por tipo, prensagem e venda do lixo reciclável para as indústrias que o transformam em matéria-prima para novos produtos.
Muitos desses trabalhadores viviam catando recicláveis nas ruas, com uma renda média de R$ 300 e passavam por muitas necessidades. “Como cooperados, além do importante serviço que prestam para o bem da sociedade, eles também têm uma vida melhor e mais digna. A renda mensal varia entre R$ 1.000 e R$ 1.200 e permite cuidar bem das suas famílias, com registro em carteira e todos os direitos trabalhistas”, acrescentou o diretor da secretaria, Cláudio Marconi.
Além disso, o trabalho alivia a pressão sobre o aterro sanitário municipal, que recebe 1.200 toneladas de lixo por mês. Cerca de 240 toneladas são destinadas à reciclagem, mas esse volume pode dobrar se a população se conscientizar. O objetivo é atingir 500 toneladas de recicláveis separados, a cada mês, o que também vai aumentar o número de pessoas empregadas pela cooperativa.

 

SAÚDE

Para o prefeito Moacir Silva, o Programa Lixo que Vale só tem vantagens e no futuro pode ser estendido a outros bairros. “Ganha o meio ambiente, com a preservação; as famílias carentes, com uma alimentação mais saudável e uma vida melhor; os recicladores da cooperativa, que com mais renda melhoras as suas condições de vida; o pequeno produtor rural, que tem mercado garantido e preço justo para sua produção; o atero sanitário, que tem mais tempo de vida útil; e a saúde como um todo, já que um ambiente mais limpo reduz a incidência do mosquito da dengue – entre outros insetos que podem servir de vetores para várias doenças”, ponderou.
Um exemplo é a drástica redução no índice de infestação do mosquito Aedes aegypti no Parque Jabuticabeiras, onde o programa funciona há mais tempo – nos levantamentos recentes da Saúde não foi encontrado nenhum foco do mosquito – o que se espera também para o Industrial, Arco Íris e bairros vizinhos, nos próximos meses. Nessa região da cidade, o último Levantamento de Índice Rápido de Aedes aegypti encontrou larvas do mosquito da dengue em 4,34% dos imóveis visitados – enquanto o nível considerado aceitável pelos organismos de saúde é de 1% no máximo.

 

Jornal Umuarama Ilustrado

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